Tenho vindo muito aqui para escrever, parece que tenho muito tempo,ne? mas é porque encontrei um lugar aconchegante,espero que para voces também
Queria falar sobre relacionamentos fracassados, acho que eles são como domingos chuvosos, sabemos que não são uteis para nada mas insistimos que podem servir para alguma coisa.Então, dominados pelo cinza e pela sensação de abandono, reembarcamos na canoa furada.E conseguimos ainda mais fatos para engordar as lamentações sobre como somos infelizes.
Por que acreditamos que o que era ruim até um segundo atrás poderia ter se tornado perfeito e reluzente?Fomos seduzidos pelo que quisemos ver e não pelo que estava de fato, na nossa frente.
E a mágoa volta.Dobrada. Chorosos, pedimos ao céu uma explicação razoavel para o bis do sofrimento.Tentamos nos consolar nos amigos, livros de auto ajuda mas a explicação teima em não vir.Nao adianta procurar debaixo do sofá, porque está estampada na sua testa: voce sofre porque é uma besta.
A experiencia vivida nos deu avisos suficientes de que a relação,se fosse um sapato, nao era do tamanho do nosso pé
O fato é que, por comodismo e paúra, nos acostumamos até com a infelicidade de um relacionamento capenga.O temor diante do novo nos priva da grande alegria de descobrir que o mundo é maior que a nossa dor de cotovelo.Esse temor da rejeição, da exposição, da falta de controle perante o que não conhecemos é o que de mais castratador podemos fazer a nós mesmos.
Então, o que resta, é levantar ancora: quem anda pra trás acaba tropeçando . E perdendo toda a paisagem
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
canção das mulheres
CANÇÃO DAS MULHERES
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com a minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza e bom humor.
Que o outro perceba a minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se eu estou apenas cansada o outro não pense logo que eu estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou a sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde, nem dizendo "Olhe que estou tendo muita paciência com você!"
Que se me entusiasmo com alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre prá mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha e nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha atrás de mim reclamando:"Mas que chateação essa sua mania, volta prá cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante, o outro não comente logo: "Pôxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro mesmo assim me ache linda e me admire.
Que o outro - filho, amigo, amante, marido - não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - UMA MULHER.
- LYA LUFT
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com a minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza e bom humor.
Que o outro perceba a minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se eu estou apenas cansada o outro não pense logo que eu estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou a sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde, nem dizendo "Olhe que estou tendo muita paciência com você!"
Que se me entusiasmo com alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre prá mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha e nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha atrás de mim reclamando:"Mas que chateação essa sua mania, volta prá cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante, o outro não comente logo: "Pôxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro mesmo assim me ache linda e me admire.
Que o outro - filho, amigo, amante, marido - não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - UMA MULHER.
- LYA LUFT
angustia, abraço
oi
algum de vocês já sentiu uma necessidade física de um abraço?Lembro a pouco tempo atrás um primo meu ,cuja mãe estava hospitalizada me disse isso- eu estou sentindo a necessidade premente, física de um abraço .Claro que não serviria um abraço qualquer.
Queria um abraço. Tem gente que se diz pobre e não dá nada. Nem um abraço. Eu li num dos livros da Catherine Ponder, que você sempre tem algo para dar e que para ter prosperidade na vida voce deveria primeiramente dar e alguém retrucou mas eu não tenho nada para dar mas voce sempre tem. Tem um olhar carinhoso, tem um sorriso (mesmo que tenha só dois dentes na boca), tem uma palavra amiga, tem um bom dia, - o seu tempo, o seu trabalho, um telefonema.
Mas algumas pessoas parecem que não entendem que isso não acaba, quanto mais você der, mais você vai ter. Isso me lembra, outro livro, Caricia Essencial , de Roberto Shinyashiki(espero ter escrito o nome dele certo).
No supermercado Extra, tem uma senhora já de idade, que é empacotadora, o nome dela é Ana. Sempre que vou la, dou um jeito de encontra-la . Na primeira vez, me senti muito mal dela me ajudar a levar a compra. Como , uma pessoa que tem mais idade que eu vai me ajudar a carregar pacotes? Mas eu deixei porque eu senti que ela é feliz fazendo isso.
Daqui eu mando um beijo para essa senhora. Que Deus a abençoe e que eu continue a encontra-la feliz e útil.
Bem, já que não posso ter o abraço físico vou tentar ter o abraço de memoria, dos meus amiguinhos la de Paraizopolis que quando chego me abraçam as pernas e enchem meus bolsos de balas. Lembro das primeiras vezes que fui la e eu dizia bom dia e aquele que respondia, respondia com um palavrão mas o tempo passou e agora a coisa mudou. Que Deus abençoe vocês também.
algum de vocês já sentiu uma necessidade física de um abraço?Lembro a pouco tempo atrás um primo meu ,cuja mãe estava hospitalizada me disse isso- eu estou sentindo a necessidade premente, física de um abraço .Claro que não serviria um abraço qualquer.
Queria um abraço. Tem gente que se diz pobre e não dá nada. Nem um abraço. Eu li num dos livros da Catherine Ponder, que você sempre tem algo para dar e que para ter prosperidade na vida voce deveria primeiramente dar e alguém retrucou mas eu não tenho nada para dar mas voce sempre tem. Tem um olhar carinhoso, tem um sorriso (mesmo que tenha só dois dentes na boca), tem uma palavra amiga, tem um bom dia, - o seu tempo, o seu trabalho, um telefonema.
Mas algumas pessoas parecem que não entendem que isso não acaba, quanto mais você der, mais você vai ter. Isso me lembra, outro livro, Caricia Essencial , de Roberto Shinyashiki(espero ter escrito o nome dele certo).
No supermercado Extra, tem uma senhora já de idade, que é empacotadora, o nome dela é Ana. Sempre que vou la, dou um jeito de encontra-la . Na primeira vez, me senti muito mal dela me ajudar a levar a compra. Como , uma pessoa que tem mais idade que eu vai me ajudar a carregar pacotes? Mas eu deixei porque eu senti que ela é feliz fazendo isso.
Daqui eu mando um beijo para essa senhora. Que Deus a abençoe e que eu continue a encontra-la feliz e útil.
Bem, já que não posso ter o abraço físico vou tentar ter o abraço de memoria, dos meus amiguinhos la de Paraizopolis que quando chego me abraçam as pernas e enchem meus bolsos de balas. Lembro das primeiras vezes que fui la e eu dizia bom dia e aquele que respondia, respondia com um palavrão mas o tempo passou e agora a coisa mudou. Que Deus abençoe vocês também.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
o pote rachado
Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço.
Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe.
O pote rachado chegava apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe.
Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.
Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo.
Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha.
Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.
Cada um de nós temos nossos próprios e únicos defeitos.
Todos nós somos potes rachados.
Porém, se permitirmos, o Senhor vai usar nossos defeitos para embelezar a mesa de Seu Pai.
Na grandiosa economia de Deus, nada se perde.
Nunca deveríamos ter medo dos nossos defeitos.
Basta reconhecermos nossos defeitos e eles com certeza embelezarão a mesa de alguém.
Das nossas fraquezas, devemos tirar nossa maior força...
Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe.
O pote rachado chegava apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe.
Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.
Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas.
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo.
Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha.
Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.
Cada um de nós temos nossos próprios e únicos defeitos.
Todos nós somos potes rachados.
Porém, se permitirmos, o Senhor vai usar nossos defeitos para embelezar a mesa de Seu Pai.
Na grandiosa economia de Deus, nada se perde.
Nunca deveríamos ter medo dos nossos defeitos.
Basta reconhecermos nossos defeitos e eles com certeza embelezarão a mesa de alguém.
Das nossas fraquezas, devemos tirar nossa maior força...
desaposentado
Desaposentado
=============
Domingos Pellegrini
Ele chegou à praça com uma marreta.
Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta.
Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
-- O senhor é da prefeitura?
-- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
-- Ah... O senhor foi quem plantou essa muda?
-- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí.
Olha que beleza, já está toda enfolhada.
De tardezinha eu venho regar.
-- Então o senhor gosta de plantas.
-- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
-- Obrigado pela parte que me cabe...
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
-- O senhor é aposentado?
-- Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
-- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria.
Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, para árvore não encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
-- É bom pra terra... Tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando...
Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
-- Pra minha menina, a Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ih... a Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
-- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
Sorriu, olhando a praça.
-- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça... Ou antes, que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei... Está vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho.
Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
-- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
-- Eu também não sabia, filho. Ih... Aprendi tanta coisa cuidando dessa praça!
Hoje conheço os cantos dos passarinhos, a época de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme.
-- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein?
Falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura.
Ele respondeu que não tinha pressa.
-- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber... E a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...
-- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
-- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!".
Veja também:
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Domingos Pellegrini
Ele chegou à praça com uma marreta.
Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta.
Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
-- O senhor é da prefeitura?
-- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
-- Ah... O senhor foi quem plantou essa muda?
-- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí.
Olha que beleza, já está toda enfolhada.
De tardezinha eu venho regar.
-- Então o senhor gosta de plantas.
-- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
-- Obrigado pela parte que me cabe...
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
-- O senhor é aposentado?
-- Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
-- Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria.
Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, para árvore não encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
-- É bom pra terra... Tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando...
Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
-- Pra minha menina, a Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ih... a Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
-- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
Sorriu, olhando a praça.
-- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça... Ou antes, que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei... Está vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho.
Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
-- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
-- Eu também não sabia, filho. Ih... Aprendi tanta coisa cuidando dessa praça!
Hoje conheço os cantos dos passarinhos, a época de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme.
-- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein?
Falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura.
Ele respondeu que não tinha pressa.
-- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber... E a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...
-- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
-- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!".
Veja também:
domingo, 13 de dezembro de 2009
Um velho sábio chinês estava caminhando por um campo de
neve, quando viu uma mulher chorando.
Dirigiu-se a ela e perguntou :
-- Porque choras ?
-- Porque me lembro do passado, da minha juventude, da
beleza que via no espelho... Deus foi cruel comigo por me
fazer lembrar.
Ele sabia que, ao recordar a primavera da minha vida,
eu sofreria e acabaria chorando.
O sábio, então, em silêncio ficou contemplando o campo de
neve, com o olhar fixo em determinado ponto...
A mulher, intrigada com aquela atitude, parou de chorar e perguntou :
-- O que estás vendo aí ?
-- Eu vejo um campo florido, disse o sábio. Deus foi
generoso comigo por me fazer lembrar.
Ele sabia que, no inverno, eu poderia sempre recordar a
primavera e sorrir.
Mais uma metáfora.
Será que isso é verdade? Ter lembranças é bom? Entendo que temos que ter bons momentos para poder recordar no inverno. To sempre vivendo no futuro, quem sabe viver o presente não seja uma boa meta para 2010?. Por falar em metas, não atingi nenhuma das que me propus para 2009. Elas eram aprender a cozinhar, estudar inglês mas ao mesmo tempo reformei um apto, decorei-o do meu jeito, enfrentei sozinha a mudança, o sofrimento da separação depois de tantos anos, negociar com muita gente,
reconhecer que fiz o meu melhor .Acho que neste ano, cuidei muito da minha parte espiritual e me tornei mais amorosa.
Na próxima postagem quero colocar minhas metas para 2010. Dizem que se a gente escreve fica mais forte, como se fizéssemos um contrato .
Ate amanha
neve, quando viu uma mulher chorando.
Dirigiu-se a ela e perguntou :
-- Porque choras ?
-- Porque me lembro do passado, da minha juventude, da
beleza que via no espelho... Deus foi cruel comigo por me
fazer lembrar.
Ele sabia que, ao recordar a primavera da minha vida,
eu sofreria e acabaria chorando.
O sábio, então, em silêncio ficou contemplando o campo de
neve, com o olhar fixo em determinado ponto...
A mulher, intrigada com aquela atitude, parou de chorar e perguntou :
-- O que estás vendo aí ?
-- Eu vejo um campo florido, disse o sábio. Deus foi
generoso comigo por me fazer lembrar.
Ele sabia que, no inverno, eu poderia sempre recordar a
primavera e sorrir.
Mais uma metáfora.
Será que isso é verdade? Ter lembranças é bom? Entendo que temos que ter bons momentos para poder recordar no inverno. To sempre vivendo no futuro, quem sabe viver o presente não seja uma boa meta para 2010?. Por falar em metas, não atingi nenhuma das que me propus para 2009. Elas eram aprender a cozinhar, estudar inglês mas ao mesmo tempo reformei um apto, decorei-o do meu jeito, enfrentei sozinha a mudança, o sofrimento da separação depois de tantos anos, negociar com muita gente,
reconhecer que fiz o meu melhor .Acho que neste ano, cuidei muito da minha parte espiritual e me tornei mais amorosa.
Na próxima postagem quero colocar minhas metas para 2010. Dizem que se a gente escreve fica mais forte, como se fizéssemos um contrato .
Ate amanha
quero ser um lago
Hoje eu gostaria de falar sobre minha incoerência. Será que todas pessoas são assim.?
Eu estava num voo, com muito medo e ao mesmo tempo pensava que quero e vou saltar de para quedas.
Eu estava com minha família e entenda como família, cunhados, cunhadas, sobrinhos, filhos dos sobrinhos ( sinto muita falta deles) mas ao mesmo tempo quando tenho oportunidade de estar com eles não aproveitei o momento.
Ah, o ser humano!!!!!!!!!Dizem que a coisa mais difícil é se conhecer mas a única coisa que eu tenho certeza é que , quero me tornar um lago.
Torne-se um lago
===================
O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal
em um copo d'água e bebesse.
-- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.
-- "Ruim " disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse
a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago,
então o velho disse:
-- "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
-- "Qual é o gosto?"
-- "Bom!" disse o rapaz.
-- Você sente gosto do "sal" perguntou o Mestre?
-- "Não" disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
-- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende aonde a
colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer
é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago..
Eu estava num voo, com muito medo e ao mesmo tempo pensava que quero e vou saltar de para quedas.
Eu estava com minha família e entenda como família, cunhados, cunhadas, sobrinhos, filhos dos sobrinhos ( sinto muita falta deles) mas ao mesmo tempo quando tenho oportunidade de estar com eles não aproveitei o momento.
Ah, o ser humano!!!!!!!!!Dizem que a coisa mais difícil é se conhecer mas a única coisa que eu tenho certeza é que , quero me tornar um lago.
Torne-se um lago
===================
O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal
em um copo d'água e bebesse.
-- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.
-- "Ruim " disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse
a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago,
então o velho disse:
-- "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
-- "Qual é o gosto?"
-- "Bom!" disse o rapaz.
-- Você sente gosto do "sal" perguntou o Mestre?
-- "Não" disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
-- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende aonde a
colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer
é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago..
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